RESENHA: PEDRA NO CÉU – ISAAC ASIMOV

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Fonte: @editoraaleph

Eu tinha acabado de ler um livro do Douglas Adams1 e ele é responsável por deixar características da Terra impregnadas na minha cabeça. Muitos habitantes da Terra acham que são os únicos do universo ou a única forma de vida inteligente e por esse motivo muitas vezes achamos o nosso lar muito especial e mais superior que qualquer outro planeta.

História: Esse livro se passa no futuro da Terra, mas precisamente na Era Galáctica, 827 anos depois desde a fundação do Império Galáctico, época onde a historia dos humanos se perdeu, algumas pessoas e a sociedade dos Anciões acredita que a Terra foi o primeiro planeta a ter vida no universo e que depois esse humanos foram ganhando outros planetas ou a vida em outros lugares da galáxia surgiu depois. O motivo para o resto da galáxia não acreditar que a vida na Terra tenha sido a origem de tudo tem relação com as áreas de radiação e ar completamente poluído com os resíduos da radiação mesmo assim ela não afetou em nada na vida dos humanos-terrestres, nenhum tem anomalias e nem a sua comida é contaminada, mas a Terra não é um planeta bem visto para os demais, chegam até a questionar a cognição dessas pessoas.

”… o senhor se surpreenderá além da conta. Já faz quatro anos que estou na Terra, e minha experiência não é das melhores. Acho que esses terráqueos são patifes e cafajestes, todos eles. Definitivamente são nossos inferiores intelectuais. Eles não têm aquela faísca que espalhou a humanidade por toda a Galáxia. São preguiçosos, supersticiosos, avarentos e não demonstram qualquer sinal de nobreza na alma. Eu desafio o senhor, ou a qualquer um, a me mostrar um terráqueo que possa ser equiparado, em qualquer sentido, a qualquer homem de verdade, ao senhor ou a mim, por exemplo, e só então reconhecerei que ele pode representar uma raça que um dia foi nossa ancestral. Mas até lá, por favor, me isente de fazer uma suposição dessas.” 

O livro da um exemplo claro de xenofobia, os habitante de outros planetas tratavam o povo da Terra de forma diferente, diziam que eles eram cheios de doenças, com um desenvolvimento mental pior que o deles, não era concedido a ninguém da Terra sair para conhecer outros planetas e quem decidisse visitar a Terra com fins de trabalho tinha que saber que corria altos riscos de morrer da Febre da Radiação. Geralmente os Forasteiros (pessoas que não são da Terra) chegavam ao planeta com um receio enorme devido a todos os preconceitos, o problema era que mesmo o povo da Terra já tinha os seus preconceitos contra os de fora e era uma ”guerra” difícil de mudar, podemos fazer uma comparação com o que ainda acontece hoje em dia, Negros vs. Brancos, Homens vs. Mulheres, sabemos que somos todos iguais por dentro mas ainda é imposto na nossa sociedade que temos diferenças e as vezes esse preconceito se desmembra de várias formas, com exclusão, com diferença de salários na mesma função, a não aceitação de imigrantes e emigrantes etc.

Os outros planetas também eram proibidos de fazer comércio com a Terra, já que eles acreditavam que os produtos eram contaminados com a radiação. Devido aos recursos serem limitados e a Terra suportar apenas 20 milhões de pessoas, eles tinham o Sexagésimo, onde pessoas com 60 anos de idade deveriam se apresentar aos Anciões que injetavam a eutanásia e a pessoa morria. Era possível esperar até o Censo que acontecia de 10 em 10 anos para pegar as pessoas que não tinham se apresentado aos 60 anos ou que tinham algum tipo de deficiência. Geralmente essas pessoas não tinham mais motivos para continuar viva, ela já era considerada fraca e improdutiva, só trariam despesas para a família e estariam consumindo recursos que serviriam para manter a nova geração.

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Fonte: @editoraaleph

Personagens: Joseph Schwartz viaja no tempo e vai parar na Terra do futuro, praticamente irreconhecível, ele começa a vagar por esse lugar já quase sem esperança e sem saber também que havia viajado, ele avista uma casa e vai de encontro a ela na esperança de alguém possa ajudar, mas ele acaba se deparando com pessoas que não falam a língua dele e não entendem o que ele quer. É envolvido em uma experiência com o Sinapsificador (aparelho que poderia ajudar melhorando a capacidade de uso do cérebro), aprende a nova língua facilmente e descobre que a sua mente evoluiu muito e ele pode fazer outras coisas com ela, como ler pensamentos. 

Nessa casa ele encontra três moradores, Loa Maren,  Grew seu pai e Albin marido de Loa. Grew era o único que tinha o habito de ler o jornal na casa, e ao ver um anuncio no jornal tem a brilhante ideia de fazer o seu genro levar o ”esquisitão” para participar de uma experiência em um laboratório em Chica. A experiência se resume por passar em um Sinapsificador ainda não testado em humanos, apenas em ratos que acabaram morrendo pouco tempo depois. O Dr. Affret Shekt e sua filha Pola Shekt, são as pessoas que conduzem esse experimento.   

Bel Arvardan é um arqueólogo que vem a Terra com a intenção de provar que a ela é muito mais antiga do que a Galáxia imagina e mais tarde na trama acaba se envolvendo com os Shekt, para um intuito maior. Cruzando suas historias com Ennius o procurador da Terra e outros personagens preste a destruir todo o universo.

Eu gosto de marcar frases  ou trechos dos livros que eu estou lendo e uma parte que me marcou muito foi:

” -… Se alguém perguntar o que ou quem é, você é nativa da Terra e cidadã do Império. Se quiserem mais detalhes, você é minha esposa.”

E faz muito sentido, em um mundo que geralmente as mulheres são classificadas como mulher de alguém e acabamos perdendo a nossa própria identidade pois nos colocam na sobra de uma outra pessoa. Algumas pessoas dizem que Isaac Asimov não sabia escrever personagens femininas, ele poderia não saber enriquecer elas, mas ele sabia dar valor e coloca-las em funções iguais ou equivalente a dos homens a própria Susan Calvin presente em Eu, Robô2 era robopsicóloga e a Pola Shekt que trabalhava com o seu pai e era cientista. 

Como esses personagens vão fazer para resolver essas questões já seria um Spoiler, e o livro tem uma trama tão gostosa de ler que não merece ser estragado. O livro se conecta com as outras obras de Isaac Asimov, como A Fundação3 e Eu, Robô, além de fazer parte da Série Império Galáctico. Isaac era um bom doutor magnifico.

Sobre a edição da א Aleph:

PEDRA_NO_CEUTítulo: Pedra no Céu
Autor: Isaac Asimov
Tradutor: Aline Storto Pereira
Editora: א Aleph
Edição: 1ª
Idioma: Português
ISBN: 978-85-7657-321-0
Adicione: SkoobGoodreads
Especificações: 312 páginas
Dimensões: 14 x 21 cm

Sinopse: Qualquer planeta é a Terra para aqueles que nele vivem. O alfaiate aposentado Joseph Schwartz desfrutava de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, foi involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império. Publicado pela primeira vez em 1950, “Pedra no Céu” foi o romance de estreia de Isaac Asimov e é um marco do que se tornaria o Império de sua mais famosa obra, Fundação. Complemento fundamental às outras histórias do autor, este romance também serve como porta de entrada para apresentar o leitor ao universo de Asimov.

1 “A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma” um livro de Douglas Adams, segundo livro da série Dirk Gentley, Editora Arqueiro, 01ª Edição, 2016, 224 páginas, tradução Fabiano Morais;

2 “Eu, Robô”, um livro de Isaac Asimov, Editora Aleph, 01ª Edição, 2014, 315 páginas, traducão Aline Storto Pereira;

“Fundação”, um livro de Isaac Asimov, Editora Aleph, 07ª Reimpressão, 2009, 238 páginas, traducão Aline Storto Pereira;

Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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