Resenha: A Casa dos Espíritos

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A coleção da Folha mulheres na literatura foi um bom passo para me incentivar a ler alguns livros e me tirar da minha zona de conforto. A coleção abrange vários gêneros literários e tem basicamente um pouco de tudo, sendo ideal para dar a oportunidade para se apaixonar por novas escritoras. Aliás essa ideia é ótima, já que quando vamos nas livrarias vemos diversas estantes abarrotadas com vários autores e poucas autoras.

Sinopse Folha: O sobrenome de Isabel evoca, inevitavelmente, o de seu primo, o presidente Salvador Allende (1908-1973), morto durante o golpe militar que implantou por décadas uma feroz ditadura no Chile e aniquilou o projeto de uma sociedade menos desigual. A reconstituição da história pessoal e coletiva integra-se ao tecido romanesco nessa premiada obra de estreia que lançou o nome da autora em 1982, revelando uma fome de ficção nutrida da intenção de testemunho, reflexo da experiência dela como jornalista. O fôlego de “A Casa dos Espíritos”, no entanto, ultrapassa as margens da reconstituição, inerente ao romance histórico, e desdobra-se em imagens que impregnam a leitura. Os destinos das mulheres indóceis da família Del Valle contrastados com o mandonismo de Esteban Trueba não sustentam apenas uma saga de emoções fortes. Suas curvas também reescrevem a história latino-americana e revelam como estamos condenados a um passado perpétuo, no qual cada movimento adiante sempre nos devolve a duas casas atrás.

A Casa dos Espíritos

Como disse para vocês, estou dando a oportunidade inserir novos autores nas minhas leituras e acabou que o ano de 2017, foi realmente o ano das descobertas. Ao adquirir ”A Casa dos Espíritos” da Isabel Allende eu não precisei ler mais que a sinopse da história para me interessar logo de cara. O livro gira em torno da família Trueba, sendo narrado pela neta de Clara a partir do caderno de relatos da avó e alguns trechos temos a intervenção do seu avô, com relatos mais aprofundados sobre alguns acontecimentos.

É muito interessante acompanhar os relatos de várias mulheres da mesma família, como a bela Rosa del Valle, a menina mais linda e encantadora, a primeira del Valle que Esteban Trueba acabou se apaixonando e foi atrás de conseguir uma vida melhor para ser digno do amor da menina.

No entanto Esteban acaba não se casando com Rosa, mas com Clara. A menina não era tão encantadora quanto a irmã e era no mínimo estranha, pois tinha mania de ver espíritos e conversar com eles. Além disso era clarividente e podia mover objetos apenas com o poder da mente.

Quando os dois constituem a sua família, Esteban já tinha boas condições, era latifundiário e era influente na politica. Clara ficaria grávida de gêminos e depois de Blaca. Todos os personagens nessa história tem um papel fundamental e o mais importante é que todos são bem desenvolvidos. Clara é o alicerce, acaba unido todo mundo, é a mediadora quando os pensamentos entre eles não batem e a responsável por fazer a união de todos os membros, que são bem divergentes entre si.

Mesmo sendo uma personagem que por diversas vezes é tachada como avoada, Clara teve que assumir responsabilidades que nem ela mesma sábia que daria conta, mas acabou encontrando uma força, que até podemos dizer do além para continuar batalhando dia após dia.

A Casa dos Espíritos – Ed Folha, Coleção Mulheres na Literatura – Foto @SraFlowers

Desde o principio da história já sabemos que dessa família, só restaram Esteban e a neta Alba e vamos descobrindo ao longo da narrativa como se deu a construção de tudo, até o final de cada membro.

O livro me surpreendeu, sem duvidas a escrita de Isabel é envolvente. Várias páginas com relatos bem detalhados do dia-a dia deles, mas nada forçado ou cansativo. Um livro onde os diálogos são sutis e o leitor acaba imerso nos pensamentos dos personagens.

Um pouco mais sobre Clara: ela vive falando que não devemos colocar o mesmo nome nas pessoas da mesma família, pois causa confusão não cadernos de anotar e algumas vezes durante a história ela acaba mencionando isso, como antes dos gênios nascerem e também quando Blanca quer homenagear a mãe, quando Alba nasce.

A forma como Allande consegue narrar sobre a ditadura é algo surpreendente, já autora acabou vivendo naquela época e os relatos são tão pesados que nessa parte eu acabei parando diversas vezes para respirar e acabava sentindo a dor em mim. O choque ficou mais evidente, pois quando fiz a leitura desse livro, por pura coincidência, estávamos tratando da ditadura na faculdade, não a do Chile, mas as ditaduras na América do Sul foram bem parecidas.

Minha recomendação é, tire um tempo e leia este livro, custa 20 reais na banca de jornal e vale cada centavo investido. Com certeza eu vou ler mais livros da autora, pois fiquei instigada a conhecer mais sobre o Chile. E em uma pesquisa na internet, acabei descobrindo que mais alguns livros da autora, mencionam os personagens da “Casa dos Espíritos”.

Título: A Casa dos Espíritos
Autor: Isabel Allende
Tradutor: Carlos Martins Pereira
Editora: Folha de S.Paulo
Edição: 1ª – 2017 BR
ISBN-13: 9788579493331
ISBN-10: 8579493331
Adicione: Skoob  Goodreads
Especificações: 464 páginas

Compre: A Casa dos Espíritos 

Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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