Resenha: Alucinadamente Feliz, com uma pitada das minhas experiências

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Sinopse: Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.
Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.
É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.

Eu estava em um mês bem bosta da minha vida, essa é a definição menos agressiva para o que eu realmente estava sentindo entre julho e agosto de 2017. Não foi nada fácil. Algumas pessoas falam que esse período que antecede o seu aniversário é conhecido como inferno astral, porém eu não sou muito de acreditar nessas coisas, mas posso dizer que esse ano eu cheguei na semana do meu aniversário praticamente fazendo uma placa e falando ”ESTOU EM UMA ZONA DE INFERNO ASTRAL, MANTENHA-SE LONGE”, por puro medo de arrastar alguém para o meu fundo do poço.

Eu não queria necessariamente acabar com a minha vida, mas só que ela parasse de ser tão filha da puta.

Tá! Ai você meu caro leitor deste blog vai dizer o que toda essa parte da minha vida tem haver com a resenha de Alucinadamente Feliz? Bom vou me explicar agora mesmo. Eu peguei esse livro para ler depois de assistir um vídeo com o Geek Freak no canal do Vá Ler um Livro, onde ele falava algo como, se sua vida está ruim vai ler esse livro, ele vai te tirar do seu buraco e te ajudar. E ai eu pensei, esse é o LIVRO PERFEITO para esse momento que eu estou passando e de um sentada só eu acabei lendo metade do livro.

Jenny Lawson além de já ter três livros publicados também tem um blog onde ela fala sobre vários assuntos abertamente. Sendo exatamente por essa plataforma em que ela comunicou aos seus seguidores que tinha depressão e alguns outros transtornos mentais. Pelo motivo de ter essa doença, que ela encara várias situações do seu dia-a-dia de forma diferente e que por diversas vezes foram interpretadas erradas, por isso ela escreveu esse livro, para contar um pouco das suas experiências.

O livro é bem divertido, aliás Alucinadamente Feliz foi um projeto que ela inventou, para fazer as pessoas que sofrem com depressão, conseguirem fazer essas coisas que para o resto do mundo soa diferente e estranho de forma libertária. Várias situações já nós prendem diariamente, pra que se importar com o pensamento das outras pessoas? Vá faça o que te da prazer e seja Alucinadamente Feliz! O que eu achei brilhante já que eu sou do tipo que se importa muito com o que as pessoas acham de mim. Fazer esse blog para escrever resenhas ou escrever no Boletim do Paddock (o outro projeto do qual eu faço parte) foi um grande passo pra mim, vocês não tem ideia. Os medos mais bobos surgiram: E se ninguém ler? E se ninguém gostar? Será que algumas visitas aqui são por pena? Vários desses questionamentos estão na minha cabeça diariamente e por isso eu me senti conectada com Jenny.

Todos nós temos nossa cota de tragédias, isanidade ou drama, o que faz toda a diferença é o que fazemos com esse horror.

Eu nunca passei em um especialista para ter um diagnóstico do que eu realmente tenho, mais eu sofro de ansiedade e tenho algumas crises de pânico com algumas coisas. Eu sou muito vou lá e faço, mas até a coisa acontecer eu sou uma lesma, eu choro, eu digo que não vou fazer. Eu prefiro minha casa as vezes a sair para ir na casa de algum parente, mesmo sabendo que lá vai ser divertido, mas o processo até a realização sempre acaba comigo. É claro que depois a sensação de dever comprido vem. Mas eu preciso realmente passar por tudo isso até ter a recompensa? Acho que não deveria ser assim. De uns tempos pra cá minha cabeça não tem ficado muito boa e eu sou uma desordem de emoções.

… Eu me achava fraca e insignificante. Ele respondeu com uma única frase que nunca esqueci: ” Finja que é boa nisso.

Eu não sou médica, só se a minha formação no google contar como alguma coisa, mas Jenny fala para nós que depressão é como se existissem vários graus. Ninguém vai reagir as situações da mesma forma, portanto o tratamento é bem complicado porque nem sempre os remédios vão ter a ação esperada, como ela relata no livro que certa vez a médica dela fez uma nova receita de comprimidos e os que ela passou a tomar, começaram a deixar ela com vontade de se matar e essas obviamente não era a ação esperada. Geralmente quem tem depressão tem médicos acompanhando o seu quadro e de tempos em tempos algumas coisas precisam ser trocadas, até porque o corpo muda e outras situações podem aparecer.

Como acontece com todas as histórias, carros de corrida, ursos selvagens, transtornos mentais e até com a vida, só há uma verdade: a quilometragem varia.

A autora também levanta a questão que muita gente acha que por você ter depressão, na verdade você tem frescura ou melhor falta de coisa para fazer. Mas isso não é verdade, essa doença pode aparecer em qualquer momento da sua vida, as vezes sim é apenas uma gota que faz todo um copo trasbordar e na verdade a situação que desencadeou aqui nem foi essa última, mas um trauma de muito tempo atrás. O nosso cérebro trabalha muito bem, as vezes ele ”esconde” uma coisa lá no fundo dele, nós nem se lembramos mais do trauma, mais uma série de sequelas seguem repercutindo na sua vida e ninguém sabe o porque daquilo acontecer ou a causa de algumas reações.

Imagine sofrer de um mal perigoso que nem você consegue controlar ou curar.

Lawson é extremamente comunicativa e te faz refletir sobre várias coisas, não é somente um livro para quem ter algum transtorno, mas deveria ser lido por qualquer pessoa que gostaria de entender algumas situações e ele também é fantástico para pessoas que convivem com alguém que tem depressão, talvez ajude na melhora da comunicação entre as partes envolvidas.

Foto por Débora Santos Almeida JennyJenny Lawson

Uma das grandes lições que ela deixa é, não desista da pessoa que está passando por essa momento, ela precisa de apoio e não de ser julgada, ajude se for possível porque se dia após dia já difícil na vida de qualquer um, na vida de quem tem depressão é pior ainda. Jenny fala sobre ela ter ”colheres” imaginarias e de como elas são um bom exemplo para medir o nível de coisas que as pessoas conseguem fazer no dia. A ideia é, você recarrega as colheres quando você dorme, se não descansou de forma adequada, o seu dia vai começar com menos colheres e menos tarefas vão poder ser executadas. Na vida de quem tem essa doença, as vezes você perde colheres a cada dia e por isso tem que escolher muito bem como utilizar as poucas que conseguiu para aquele dia. Por esse motivo por diversas vezes ela se viu parada pensado, se eu fizer isso com certeza não vou conseguir fazer aquilo mais tarde, não vou ter cabeça para essas duas coisas. É uma forma brilhante para explicar como as coisas realmente são.

 Somos todos bem bizarros. Alguns de nós só são melhores em esconder.

Eu quando terminei a leitura desse livro acabei marcando várias coisas, os trechos que eu achei marcante quando ela fala sobre os dias mais difíceis, mas também partes em que ela fala sobre as coisas que ela gosta de fazer e assistir, só de ter citado Doctor Who e o Benedito* pra mim já ganhou o meu coração, aproveita para olhar o instagram dela porque tem várias fotos fofas.

AAAAAAAAH! Got a letter from Hailey from camp & she's having a blast. #furiouslyhappy

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Alucinadamente Feliz tem uma edição fantástica, apesar de eu ter feito a leitura no kindle. Jenny deixa algumas fotos para nós em alguns capítulos e alguns textos que foram publicados no seu blog e algumas discussões com amigos e marido. Fora que ela está dela constantemente conversando com a gente. Eu dei várias gargalhadas e me emocionei com essa leitura. Leia este livro, descubra porque ele tem um guaxinim na capa e desconstruir o seu conceito sobre depressão.

I think Rory has more fan-made clothes than I do. #asitshouldbe #furiouslyhappy #bespokeraccoons

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Me, Lisa, Tex and Gabi hiding in Whimsic Alley. Headed toward Vroman's now. Love.

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* Benedito é o Benedict Cumberbatch, como algumas das suas cumberbitches chamam o ator.

Título: Alucinadamente Feliz
Autor: Jenny Lawson
Tradutor: Andrea Gottlieb
Editora: Intrínseca
Edição: 1ª – 2016 BR
ISBN-13: 9788580579314
ISBN-10: 8580579317
Adicione: Skoob  Goodreads
Especificações: 352 páginas

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Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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