Resenha: As Fontes do Paraíso, mais um livro do mestre Clarke

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Sinopse: The Fountains of Paradise (1978) — Há dois séculos, Kalidasa desafiou sua família e sua religião para empreender uma verdadeira maravilha arquitetônica: a construção de um suntuoso palácio no topo de uma montanha, que o alçaria aos céus e o igualaria aos deuses. Duzentos anos depois, o ambicioso engenheiro Vannevar Morgan, que já unira dois continentes com a Ponte Gibraltar, se propõe a construir uma nova ponte, desta vez ligando a Terra ao espaço sideral. O que ele não imagina, porém, é que em seu caminho está um monastério budista, localizado sobre a única montanha na qual seu projeto poderia ser construído. Em paralelo, a humanidade detecta um estranho sinal de rádio, de origem não humana. Pela primeira vez na história, o planeta Terra é contatado por uma raça alienígena que, ao que tudo indica, está cada vez mais próxima.

As Fontes do Paraíso do escritor Arthur C. Clarke, era o último livro na minhas estante do autor que precisava ser lido e pertence a leva de títulos que a Editora Aleph lançou na sua leva de novas edições. Existem outros livros dele publicados no Brasil, mas agora contam com um difícil acesso, talvez garimpando sebos seja possível encontra-los. Uma vez dando uma olhada em alguns sites que tinham pdfs de livros acabei encontrando algumas continuações, por exemplo de Encontro com Rama e de 2001 uma Odisseia no Espaço. É ilegal fazer isso? É mas infelizmente as vezes essa é a única forma mais ”acessível” para ter contanto com essas obras. Não recomendo por prejudicar o mercado editorial, mas as vezes você só tem essa opção se o livro não tem uma segunda publicação no mercado. 

Fica ai meu apelo para a Aleph lançar os outros.

Imagem Subimarino
Novas edições dos livros da Aleph do Arthur C Clarke – Imagem Subimarino

Os livros do Clarke exploram muito essa vontade que o homem tem de descobrir o que tem na galáxia vizinha, se existe vida fora da Terra, se somos a civilização mais avançada e também o domínio desse lugar ainda desconhecido por nós. Nesta obra Vannevar Morgan é um engenheiro e pretende construir uma espécie de ponte que ligue a Terra até o universo e de lá uma base estacionaria permitiria que o contato com os outros planetas ficasse mais acessível. Com a construção dela a quantidade de combustível que é utilizado para tirar uma nave do planeta seria reduzido. A ponte além de servir para carregar cargas, também poderia levar pessoas comuns para conhecer o espaço. Imagine uma espécie de trem, que anda sobre um trilho e que teria ”classes” e outras atividades para as pessoas que tivessem vontade de dar um passeio.

Ao longo da história todas essas vantagens dessa construção é explicada, porque a ponte se alto pagaria com o passar do tempo e qual as sua utilidade e ao decorrer da narrativa fica impossível de não comprar a ideia.

Foto: @rubensGPnetto

Como se já não fosse difícil tirar o projeto do papel, Morgan acaba encontrando mais problemas, principalmente quando ele se cruza com questões religiosas, filósoficas e culturais. Por fim ele acaba se envolvendo em uma briga de grandes proporções para conseguir começar a construção da torre. Morgan é bem cético, mas há momentos no livro que se ele soubesse rezar e na visão dele resolvesse, ele teria feito.

Um dos pontos levantados por Clarke é sobre a fé e os cultos que as pessoas exercem em todo o mundo e ao longo da nossa evolução. Cada um com sua crença e cada tribo se vê regida por uma força maior que controla e influência nas decisões tomadas dia após dia na vida. No decorrer da leitura do livro dá a entender que a gente consegue o que quer, porque correu atrás de alguma forma e não foi um simples pedido aos céus que te trouxe o que você queria. Eu entendo esse ponto de vista, não sou a pessoa mais religiosa que existe na face da terra, até porque a muito tempo não tenho uma religião definida, mas acho que assim como grande parte da população eu acredito em uma coisa e acabo recorrendo a essa força sempre que preciso.

Sou incapaz de distinguir de forma clara entre suas cerimônias religiosas e o comportamento aparentemente idêntico nos espetáculos esportivos e culturais que me foram transmitidos. Refiro-me em particular aos Beatles, 1965; à Final da Copa do Mundo, 2046; e ao show de despedida de Johann Sebastian Clones, 2056.

O livro é narrado em terceira pessoa, o primeiro ponto é do rei Kalidasa e de como foi a construção das ”fontes do paraíso. Também a perspectiva do engenheiro Morgan e é com ele que nós passamos grande parte do tempo e ainda há a visão de um narrador onisciente, quando o Planador Estelar é apresentado para nós. Ele é um sonda interstelar que está passando pelo nosso sistema solar e que a Terra acaba conseguindo uma comunicação com ela. Algumas informações sobre a existência de vida fora do planeta é comunicada, mas algumas dúvidas que poderiam mudar o curso da nossa história ou do nosso desenvolvimento não são fornecidas.

Foto: @sraflowers

A leitura é mais lenta, mas eu já estou acostumada com a forma que o autor escreve, então posso dizer que não tive muita dificuldade para entrar na história. Não recomendo ele como um primeiro livro para quem nunca leu nada do mestre Clarke e se eu pudesse sugerir algo antes, séria O Fim da Infância.

É mais uma obra intrigante de Arthur, ele acaba levantando alguns pontos sobre religião e cultura que muitas vezes você fica intrigado e acaba levando essas abordagens para a vida. Eu posso me esquecer de alguns detalhes das obras dele, até porque elas são bem detalhistas, mas dessas questões que ele aborda em suas narrativas eu acho bem difícil, não teve um livro dele que não deixou alguma coisa marcada em mim.

Arthur escreveu essa obra como uma ficção, mas já existiu/existem projetos para que um elevador realmente fosse construído. Sabemos que a tecnologia precisaria avançar ainda mais, precisaríamos ter matérias mais resistentes, mas além disso o lixo espacial que temos em torno da Terra também acaba contando muito para que uma coisa dessa seja realmente executada. Fora isso sabemos que o planeta não age sozinho, existem outras forças que controlam o universo, fora que os planetas e suas luas não são fixas e existe sim um deslocamento no universo, sem contar do próprio deslocamento continental que temos dentro do nosso planeta. Clarke apostava que essa obra da engenharia poderia até ser realizada nesse século ou no próximo, mas vários pontos precisam ser estudados obviamente.

Enquanto isso não acontece nós continuamos nos questionando sobre as inúmeras possibilidades que o espaço proporciona e se vamos ter alguma resposta antes de deixarmos essa matéria que transita pela Terra.

Título: As Fontes do Paraíso
Autor: Arthur C. Clarke
Tradutor: Susana L. de Alexandria
Editora: א Aleph
Edição: 2ª – 2015
Idioma: Português
ISBN-13: 9788576571827
ISBN-10: 857657182X
Adicione: Skoob – Goodreads
Especificações: 352 páginas
Dimensões: 14 x 21 cm

 

Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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