Resenha: Confissões do Crematório

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*Acho que essa música do The Killers combina bem com o tema desse livro: então da play e leia a resenha.*

Eu não gosto muito de ver seriados ou filmes que as pessoas morrem. Corpos sendo rasgados e o sangue escorrendo no chão me deixam com pavor. As vezes eu até acabo vendo por causa da histórias, mas nessas cenas eu acabo fechando os olhos, porque elas conseguem fazer um arrepio subir na minha espinha. Já essas cenas nos livros, pra mim são mais fáceis de ler e elas ”descem bem”. Esse livro exige um pouco de estômago e muitas pessoas não vão querer saber de alguns detalhes que contem nele, mas quem estiver de ”estômago aberto”, pode devorar esse livro.

Confissões do Crematório é um livro escrito por Caitlin Doughty em forma de contos, que relata algumas experiências vivenciadas por ela, quando entrou na indústria da morte, principalmente as suas primeiras impressões. É natural que a maioria das pessoas, não se veja trabalhando em um ambiente triste como esse, lidando com corpos de vários jeitos, a forma deles não é o que mais impacta, mas geralmente o estado em que eles chegam é o mais chocante. Sim morrer hoje em dia não faz mais parte de um ritual, existem pessoas que lucram com isso e algumas vezes a gente não se da conta.

Caitlin levanta discussões sobre o que nós fazemos com os nossos mortos, a tendência que temos de esconder eles, para parecer que todos nós somos imortais e que nunca vamos chegar ao fim. Quando morremos nos hospitais, somos cobertos por lençóis brancos e encaminhados para o subsolo, para que outros pacientes não vejam que a ”morte chegou”, isso se chama a medicalização da morte. É como se os médicos tivessem falhado com aquela pessoa e isso é inadmissível para o restante das pessoas. Ela também nos conta como a indústria da morte, começou a implantar a necessidade de embalsamar os corpos, mesmo que eles sejam cremados logo em seguida, da necessidade de maquiá-los para parecerem o que eles não são e nem mesmo o que foram em vida.

” Podemos nos esforçar para jogar a morte para escanteio, guardando cadáveres atrás de portas de aço inoxidável e enfiando os doentes e moribundos em quartos de hospital. Escondemos a morte com tanta habilidade que quase daria para acreditar que somos a primeira geração de imortais.”

Minha mãe morreu quando eu tinha 15 anos, no hospital mesmo. Quando eu li sobre esses relatos dos hospitais o momento em que minha mãe morreu veio na minha memória. Eu lembro que tudo aconteceu muito rápido, como cobriram ela com o lançou branco e removeram ela do quarto. Como o carro da funerária chegou incrivelmente rápido (como se uma sirene dessas de quartel dos bombeiros, houvesse suado e eles tivessem vindo atender o chamado) e quando a gente deu conta, tudo já estava pronto e ela já estava sendo velada.

Os velórios que antes eram feitos em casa, hoje se tornaram menos comuns, alguns familiares, acabam acreditando que seus entes queridos depois de mortos, são uma bomba relógio, capaz de transmitir doenças inimagináveis como a diabetes, e precisam ser ”descartados” logo em seguida depois do último suspiro.

Algumas passagens do livro são nojentas, como quando ela coloca um corpo para cremar e sua gordura quente começa a escorrer para fora da retorta. Mas muitas também são tristes, como quando ela conta sobre pessoas que tiraram a vida na Golden Gate em São Francisco e sobre a cremação de bebês que morreram em poucos dias de vida ou sobre os natimortos.

O livro é impactante, pois ela não faz objeções em contar os procedimentos que são realizados nos corpos, ela conta detalhadamente como é o processo de embalsamento, até como fazem para manter a boca e os olhos do morto fechados.

” De muitas formas, as mulheres são companheiras naturais da morte. Cada vez que uma mulher dá à luz, ela está criando não só uma nova vida, mas também uma nova morte.”

A autora fez pesquisas para escrever esse livro e no final contem um apêndice sobre os livros que ela utilizou. O livro mescla informações com os relatos pessoais dela. É um livro que vale muito a pena ser lido, mas vá com calma, leia um conto por vez, assim fica mais fácil de absorver o volume de informações.

Título: Confissões do Crematório
Autor:  Caitlin Doughty
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: DarkSide®
Edição: 1ª – 2016
Idioma: Português
ISBN-13: 9788594540003
ISBN-10: 8594540000
Adicione: Skoob Goodreads
Especificações: 260 páginas ,
Dimensões: 14 x 21 cm

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Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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