Resenha – IT do Stephen King

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Stephen King dispensa apresentações é um grande escritor e muito popular na literatura. Já teve diversas obras adaptadas para o cinema e It a que eu vim tratar aqui hoje no blog, que já teve um primeiro longa em 1990 e agora em 2017 foi produzido por outra gama de atores e diretores.

”Stephen Edwin King é um dos escritores mais notáveis quando o assunto é terror. Nascido em 21 de setembro de 1947 em Portland, Maine. Os seus livros já venderam quase 400 milhões de cópias, com publicação em 40 países, sendo o nono autor mais traduzido do mundo. ” Retirado de Wikipédia

It é um livro cheio de camadas, com personagens profundos e o leitor acaba conhecendo um a um e se afeiçoando a eles, mas se a pessoa preferir fazer uma pesquisa sobre a vida do autor, vai descobrir que ele também foi uma criança gorda que enfrentou diversos problemas na infância e cada personagem dele, carrega um pouco das suas experiências. Eu também foi uma criança, adolescente e uma adulta acima do peso e conseguia me identificar com os dramas de Ben Hanscom.

A Coisa me lembra muito o bicho papão no filme do Harry Potter, ela pode tomar a forma daquilo que você mais tem medo, seja um lobisomem, uma múmia, vampiro ou um palhaço, já que está última é muito mais ”carismática” e facilita a aproximação dela com as crianças está e a fora dele na trama. Os ataques feitos pela coisa se intensificam a cada 27 anos, onde várias crianças acabam sumindo e alguma desgraça muito fatal sempre acontece no final do ciclo.

O ataque de 1958 começa quando George Denbrough, irmão de Bill Denbrough acaba indo para a rua em um dia de tempestade, depois que o seu irmão mais velho faz um barquinho de papel para ele brincar na enxurrada depois de ter ficado vários dias preso em casa já que o período de chuvas havia começado.

Stephen King It – foto de @sraflowers

Depois da morte do irmão Bill acaba se sentindo culpado já que foi ele quem deu a ”ferramenta” que permitiu que o seu irmão fosse para rua e morresse. Os pais não tocam no assunto em casa e Bill se torna praticamente invisível para os pais. Além disso Bill também tem um problema, ele é gago, mas assim como todos os amigos que ele acaba formando nas férias de 1958, tem algum problema e acabam formando o The Losers Club (ou como está na tradução do meu exemplar, ”O Club dos Otários). Como disse Bill é gago, Ben Hascom é gordo, Eddie Kaspbrak tem uma mãe super protetora e cria um filho hipocondríaco em uma bolha cheio de problemas simulados, Richie Tozie cria vozes como um ato defensivo e é ”quatro olhos”, Mike Shenlon pertence a uma das poucas famílias da cidade que são de negros e acaba sofrendo com racismo, Beverly Marsh é uma garota pobre com um pai muito abusivo e Stan Uris que por diversas vezes foi zuado fora do grupo por ser judeu.

Os ataques voltam a acontecer em 1985 e Mike Hanlon fica relutante em chamar os amigos da época em que eram crianças, mas a única coisa que ele consegue pensar é sobre a promessa que eles haviam feito naquela época, quando achavam que haviam resolvido o problema com a Coisa, mas se ela voltasse a atacar eles voltariam a se unir para por fim no monstro. Hanlon entra em conflito, não sabendo como lidar com o problema, ele foi o único que permaneceu na cidade e atuou como uma espécie de guardião, mas não foi porque ele quis, simplesmente a vida dele seguiu assim, as famílias dos colegas acabaram se mudando e a dele permaneceu na cidade e sem muita escolha Derry ficou viva nele, todos os fatos e histórias da época em que era criança. Hanlon por passar todo este tempo em Derry, começa investigar o passado mais longínquo da cidade e se depara por fim, com uma coisa que ele já achava que sabia, os ocorridos eram um ciclo e estavam inseridos no lugar desde sempre.

A Coisa é assustadora, mas as formas como ela atua para atacar as crianças e até mesmo Henry Bowers e sua gangue deixam vários momentos da história aterrorizantes e alguns personagens ficam com marcas graças a violência gratuita.

Sem dúvidas o livro bebe muito da fonte dos anos 80, afinal ele foi escrito em 1986 e é inevitável a comparação com ”Os Goonies”, mas também carrega aquele ar dos filmes daquela época, onde eles retratavam um terror por várias vezes contendo alienígenas e monstros na trama.

Mike Hanlon toma coragem para ligar para os amigos e é responsável por lembrar eles da promessa. Um a um eles vão deixando suas vidas para trás para voltar para Derry, mas a questão é, nenhum deles lembra de tudo o que aconteceu naquela época em que eles tinham apenas 11 anos e o livro passa a ser um contraste do que aconteceu quando eles eram mais novos, como é a vida deles atualmente e o que eles vão ter que deixar para trás a troco de um futuro incerto, como eles lidam com esse fato, o novo encontro e a lembrança de cada um sobre os dias até o dia em que eles enfrentaram a Coisa.

Stephen King livro IT – Foto de @sraflowers

O livro acaba explorando os medos infantis, quando Pennywise pode se transformar no que a criança mais teme. Esses medos de criança ficam mais evidentes na fase adulta desses personagens, já que quando eram mais novos acreditar em fada do dente, Papai Noel ou Coelho da Páscoa abria brecha para acreditar em monstros e as crianças também podiam usar a imaginação para combater esses pesadelos, quando você se torna mais velho, fica mais engessado aquela fase gostosa que você acreditava em tudo vira apenas um sonho, se é que as vezes a gente para para lembrar sobre aquela época. A história também acaba contestando isso, será mesmo que a gente não pode realmente acreditar em algumas coisas fantasiosas que tornariam a nossa vida mais leve?

O livro também trata sobre abuso, por exemplo o pai de Bev que por diversas vezes proíbe a filha de fazer várias coisas, mas não com aquela proteção que vários dos nossos pais tiveram com a gente, gira mais para a proteção sexual, aquela tensão que fica planando entre os dois depois que ela virou ”moçinha”, ela não sabe o que é, mas parece que ele está sempre pronto para atacar ela. Fora os limites que ele extrapola com a violência física, conversar é praticamente impossível e bater é uma forma de preocupação. E do outro lado vemos uma mãe, que quer criar o filho em uma bolha e Eddie acaba desenvolvendo doenças que estão mais ligadas ao psicológico dele do que de fato acontecendo e a mãe chega a discutir com os médicos porque só ela sabe o que faz bem para o seu filho. É um livro de terror mais vários assuntos acabam sendo abordados, além destas tramas familiares o bullying também é inserido e como a perda de uma pessoa próximo pode afetar as nossas vidas, ainda mais se ele é um irmão.

 Os adultos podem ser muito abusivos e frios e por diversas vezes não perdem tempo para fechar uma porta para uma criança, evitando que elas alimentem as suas fantasias.

A base do livro é o terror, como a amizade deles é construída a partir de traumas e do desafio em enfrentar uma coisa que teoricamente é maior que eles, mas por mais que o medo esteja instaurado em cada página do livro, todo o resto faz a história ser muito envolvente, bem construída e uma narrativa completamente diferente do que eu já vi. Vale a pena ”perder” o seu tempo com esse calhamaço. Eu li no livro físico mesmo e a sensação de ver a história avançar e as páginas que eu já havia deixado para trás, me deixavam com muita saudade daqueles personagens, conforme as coisas se encaminhavam para o fim.

Sabe aquele medo de esquecer dos seus amigos, do seu passado, dos detalhes? Então isso acaba acontecendo em It, é bem triste e bem traumático e quando eu o acabei. Fiquei com a sensação de que estava esquecendo algo, que acabei deixando eles para trás e que tinha sido bom encontrar com eles e conhecer aqueles personagens, mas com o livro voltando para a estante, eu tive a sensação que começaria a esquecer dos detalhes. É muito apavorante esse sentimento, até porque foi uma coisa que o livro acabou deixando marcado, por também fazer parte do seu enredo e não da para contar as coisas que já ficaram fracas na nossa memória depois desses 22 anos aqui na Terra. Me lembrei de algumas fotos da escola de alguns colegas de classe que eu não me lembro os nomes ou até mesmo nos amigos que eu não sei mais o sobrenome… A gente quase não usa mais o telefone para ligar, mas eu perdi os números das casas deles e em alguns nem em rede social eu tenho mais como procurar. Quantas pessoas já deixamos para trás e quantas mais vamos deixar?

Eu espero não perder muita coisa dessa história com o passar dos dias, que meu coração ainda possa ser aquecido com esses personagens por muito tempo. Mas se um dia eu sentir necessidade ou se eu achar que a hora de combater a Coisa chegou, eu não importo de voltar para Derry e começar tudo de novo. Vamos enfrentar nossos medos juntos e ferir Pennywise.

Stephen King Livro – Foto de @sraflowers

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A Coisa
 Título: A Coisa
Autor: Stephen King 
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Suma – Companhia das Letras
Edição: 1ª – 2014 BR
ISBN-13: 9788560280940
ISBN-10: 8560280944
Adicione: Skoob  Goodreads
Especificações: 1103 páginas

Débora Santos Almeida

Autora de textos sobre automobilismo em especial sobre Fórmula 1, leitora voraz de livros de ficção científica, amante de Arthur C. Clarke e freqüentadora do restaurante do Douglas Adams!

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